terça-feira, 30 de novembro de 2010

Da Contradição Comum, à Gênese da Cumplicidade

"Filha de mãe professora primária e pai comerciante de origem árabe, tive a infância e adolescência com todas as chances de se limitarem entre o hostil e o monótono."
Ana Beatriz Nader


Com mais precisão, infância monótona e adolescência hostil, como todas as crianças que se encontram nessa situação. Chances, somente probabilidades. Não importa para que lado penda a gangorra, a balança ou suas escolhas, importa para que lado você quer tocar.
Preferiu sempre as escolhas mais difíceis, desde subir na árvore pelo maior galho até querer aprender a tabuada antes das adições e subtrações. Não quis ficar atrás ou em segundo plano, nunca entendeu porque tanta gente se batia, se beliscava ou brigava, mas sempre soube que todos eram diferentes, e respeitava. Gostava das coisas que não eram vulgarmente tachada a ela, gostava de bicicleta, futebol e carrinhos. Não sabia o que era a guerra, mas adorava se arrepiar com histórias de heróis do seu país. Sentia calafrios quando seu pai a olhava de esguelha, e sua mãe não lhe afagava os cabelos quando havia aprontado. Fez escolhas erradas, se arrependeu, ou não. Sabia que dali pra frente saberia escolher certo, mas não o fez. Mesmo assim aprendeu, não quis ser o que esperavam dela, quis ser o que ela mesma esperava de si. Esperou demais dos outros e não houve reciprocidade, aprendeu novamente. Quis então se aliar a vulgar normalidade, não se encaixou. Quis entrar na rebeldia, foi pior. Não aceitava talvez, queria o nada, se não tivesse por inteiro. E então ela escolheu, provou do que era necessário, não foi extravagante, hostil muito menos recalcada, monótona. Simplesmente foi ela mesma, sem meios-termos, sem receio, sem medo, com toda a sinceridade e espontaneidade para ser assim, do jeito que é e será- se não aprender novamente e mudar.

Nenhum comentário: