Pessoas interessantes não se acomodam, estão em constantes mudanças para melhorar, testar, aprimorar. Seja na aparência, nas atitudes, em todas as coisas que faz. Estive cansada de tudo, e não consegui nada mais mudar, migrei então. As mesmas falas, o mesmos gritos de liberdade, somente uma nova 'plataforma': Fala, faze.
Fala, faze.
sábado, 11 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Não mais só sonho
Hoje foi um dia totalmente atípico, seja porque tudo aconteceu de forma inesperada, seja porque tudo que aconteceu depois continuou sendo inesperada, mas num bom sentido. Não perderei tempo explicando o que deu errado, porque se deu, f***-se . Nada mais animaria meu dia se não uma ligação no finzinho da tarde. Meu pai agora não é mais só um bacharel em direito, é um advogado. Peguei-me pensando então o orgulho que eu sentia, não só por ter passado, mas por ser meu pai. O mesmo orgulho que sempre brota timidamente quando o olho nos olhos e vejo o cansaço, mas o mesmo brilho que vejo nas fotos segurando um bebê risonho ao volante de nossa antiga chevy azul, mas dessa vez o orgulho resolveu gritar e dizer que esse poderia ser um dos momentos mais importantes da vida dele, abracei, chorei, sorri. Podem dizer que sou sensível demais, alegro-me por isso, mas eu afirmo que não tem sensação mais eufórica que ver o sonho de alguém que você ama desde que se entende por gente realizar-se. Foi a mesma sensação de ver o nome da minha mãe entre os aprovados de pedagogia. Todos perguntam se é porque meu pai fez direito que também estou fazendo, sempre prontamente respondo que não, mas a verdade é que sim! Sempre fomos cúmplices de pequenos delitos dentro de casa, desde aquela porcelana que quebrei até a vez que me ajudou a esconder da mãe por 2 semanas um machucado que contrai andando de skate. Não só cúmplices, amigos que jogam futebol e todo esporte com bolas nos domingos à tarde, professor e pupilo que conversam sobre história e política, mestre e aprendiz que fazem traves os melhores presépios da região. Escolhi também fazer direito por ele, mas não porque ele queria, mas por descobrir que inevitavelmente sou como ele, cresci e aprendi com ele, e como minha mãe diz: “se fosse menino não seria tão agarrada”. Euforia sim, porque sou alguém com 100% de freqüência, não saio de aulas péssimas nem para tomar água e tenho pena de deixar os professores sozinhos na sala. Apresentei aquele trabalho ruim e fui aproveitar o restinho do dia 6 com o mais novo e preferido advogado. Vou impressioná-lo hoje, pensei. Todos os ingredientes, panelas ao forno para fazer o meu “Penne à Carbonara” presente somente em refeições supra-especiais, bom, acabou o gás. Enfim, restou aquela Bohemia gelada com aquele copo de cristal que estava no freezer, ah, esqueci, você tomou ela ontem. O que importa meu prato-só-para-ocasiões-especiais ou sua cerveja favorita, nossa empadinha pré-assada com um suco Tang de uva teve o melhor gosto que qualquer empada com Tng que já comemos em toda a nossa vida teve. O que importa é a cumplicidade que temos, nossos olhos se entendem, brigam, faíscam, mas o fazem para não perder o contato. Parabéns, meu pai e sempre herói.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Louca Vontade
Tenho uma confissão. Estou gostando de escrever. Jamais imaginei como seria bom transformar uma folha branca num emaranhado de letras, formando palavras, desenvolvendo tortas linhas de frases conexas que ao final eu chamaria de texto. Surpreendente esse universo de letras que exprimem a minha tão confusa mente. Palavras soltas, ali, juntas por um fio de lembranças, sensações, cores e cheiros, ora misturados, ora isolados, fazendo algum sentindo pro meu turbilhão de idéias que insistem agora em jogar para fora tudo que passa a quilômetros por segundo na minha cabeça. Minha louca vontade de escrever não me deixa mais tão facilmente como outrora fazia, e agradeço.
“Nos interessa o que não foi impresso,
E continua sendo escrito à mão”
Engenheiros do Hawaii
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Da Contradição Comum, à Gênese da Cumplicidade
"Filha de mãe professora primária e pai comerciante de origem árabe, tive a infância e adolescência com todas as chances de se limitarem entre o hostil e o monótono."
Ana Beatriz Nader
Com mais precisão, infância monótona e adolescência hostil, como todas as crianças que se encontram nessa situação. Chances, somente probabilidades. Não importa para que lado penda a gangorra, a balança ou suas escolhas, importa para que lado você quer tocar.
Preferiu sempre as escolhas mais difíceis, desde subir na árvore pelo maior galho até querer aprender a tabuada antes das adições e subtrações. Não quis ficar atrás ou em segundo plano, nunca entendeu porque tanta gente se batia, se beliscava ou brigava, mas sempre soube que todos eram diferentes, e respeitava. Gostava das coisas que não eram vulgarmente tachada a ela, gostava de bicicleta, futebol e carrinhos. Não sabia o que era a guerra, mas adorava se arrepiar com histórias de heróis do seu país. Sentia calafrios quando seu pai a olhava de esguelha, e sua mãe não lhe afagava os cabelos quando havia aprontado. Fez escolhas erradas, se arrependeu, ou não. Sabia que dali pra frente saberia escolher certo, mas não o fez. Mesmo assim aprendeu, não quis ser o que esperavam dela, quis ser o que ela mesma esperava de si. Esperou demais dos outros e não houve reciprocidade, aprendeu novamente. Quis então se aliar a vulgar normalidade, não se encaixou. Quis entrar na rebeldia, foi pior. Não aceitava talvez, queria o nada, se não tivesse por inteiro. E então ela escolheu, provou do que era necessário, não foi extravagante, hostil muito menos recalcada, monótona. Simplesmente foi ela mesma, sem meios-termos, sem receio, sem medo, com toda a sinceridade e espontaneidade para ser assim, do jeito que é e será- se não aprender novamente e mudar.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Algodão
-Ei, você gosta de nuvens?
-Claro! Há sempre algo a ser decifrado nelas...
-Então vem cá. (Puxa ela cuidadosamente, deitam-se no gramado)
-Mas o céu está limpo!
-Eu passei a semana pedindo para ele ficar assim.
-Porque?
-Não são só as nuvens que precisam ser olhadas atentamente para serem decifradas.
-???
-Lá no canto, olhe.
-...
-Decifras o céu, e olhando aquela nuvem saberás o que és pra mim.
(Aconchega-se no peito dele, quase que como se fosse feito só para ela, estava tudo bem já que o infinito, para os dois, foi somente o começo.)
-Claro! Há sempre algo a ser decifrado nelas...
-Então vem cá. (Puxa ela cuidadosamente, deitam-se no gramado)
-Mas o céu está limpo!
-Eu passei a semana pedindo para ele ficar assim.
-Porque?
-Não são só as nuvens que precisam ser olhadas atentamente para serem decifradas.
-???
-Lá no canto, olhe.
-...
-Decifras o céu, e olhando aquela nuvem saberás o que és pra mim.
(Aconchega-se no peito dele, quase que como se fosse feito só para ela, estava tudo bem já que o infinito, para os dois, foi somente o começo.)
E assim é sempre
Depois da tempestade é que a calmaria vem
E continuo a viver...
Depois da tempestade é que a calmaria vem
E continuo a viver...
(Master Key)
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Os mesmos sonhos, as mesmas falas.
Gritos de liberdade que alguém deu.
E aqueles olhos da menina envergonhada que de repente apareceu, uma menina que não falava - tão parecida como você e eu -, que não fazia mal uso das palavras, mas se cansou dos sonhos que o mundo lhe vendeu.
Tão diferente de se ver...
Gritos de liberdade que alguém deu.
E aqueles olhos da menina envergonhada que de repente apareceu, uma menina que não falava - tão parecida como você e eu -, que não fazia mal uso das palavras, mas se cansou dos sonhos que o mundo lhe vendeu.
Tão diferente de se ver...
Uma menina me apareceu - Biquini Cavadão
sábado, 23 de outubro de 2010
Uníssono
Me fale de seus sonhos
Desejos, anseios
Me diga o que pensas
Escondes... Conte.
Quero saber de você,
Crer em você,
Não sei o porquê!
Me faça acreditar,
Use sua má-fé.
A única coisa que eu quero
É que nos juntemos, entoemos,
Permitiremo-nos,
Soaremos um uníssono.
Desejos, anseios
Me diga o que pensas
Escondes... Conte.
Quero saber de você,
Crer em você,
Não sei o porquê!
Me faça acreditar,
Use sua má-fé.
A única coisa que eu quero
É que nos juntemos, entoemos,
Permitiremo-nos,
Soaremos um uníssono.
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