segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Não mais só sonho


Hoje foi um dia totalmente atípico, seja porque tudo aconteceu de forma inesperada, seja porque tudo que aconteceu depois continuou sendo inesperada, mas num bom sentido. Não perderei tempo explicando o que deu errado, porque se deu, f***-se . Nada mais animaria meu dia se não uma ligação no finzinho da tarde. Meu pai agora não é mais só um bacharel em direito, é um advogado. Peguei-me pensando então o orgulho que eu sentia, não só por ter passado, mas por ser meu pai. O mesmo orgulho que sempre brota timidamente quando o olho nos olhos e vejo o cansaço, mas o mesmo brilho que vejo nas fotos segurando um bebê risonho ao volante de nossa antiga chevy azul, mas dessa vez o orgulho resolveu gritar e dizer que esse poderia ser um dos momentos mais importantes da vida dele, abracei, chorei, sorri. Podem dizer que sou sensível demais, alegro-me por isso, mas eu afirmo que não tem sensação mais eufórica que ver o sonho de alguém que você ama desde que se entende por gente realizar-se. Foi a mesma sensação de ver o nome da minha mãe entre os aprovados de pedagogia. Todos perguntam se é porque meu pai fez direito que também estou fazendo, sempre prontamente respondo que não, mas a verdade é que sim! Sempre fomos cúmplices de pequenos delitos dentro de casa, desde aquela porcelana que quebrei até a vez que me ajudou a esconder da mãe por 2 semanas um machucado que contrai andando de skate. Não só cúmplices, amigos que jogam futebol e todo esporte com bolas nos domingos à tarde, professor e pupilo que conversam sobre história e política, mestre e aprendiz que fazem traves os melhores presépios da região. Escolhi também fazer direito por ele, mas não porque ele queria, mas por descobrir que inevitavelmente sou como ele, cresci e aprendi com ele, e como minha mãe diz: “se fosse menino não seria tão agarrada”. Euforia sim, porque sou alguém com 100% de freqüência, não saio de aulas péssimas nem para tomar água e tenho pena de deixar os professores sozinhos na sala. Apresentei aquele trabalho ruim e fui aproveitar o restinho do dia 6 com o mais novo e preferido advogado. Vou impressioná-lo hoje, pensei. Todos os ingredientes, panelas ao forno para fazer o meu “Penne à Carbonara” presente somente em refeições supra-especiais, bom, acabou o gás. Enfim, restou aquela Bohemia gelada com aquele copo de cristal que estava no freezer, ah, esqueci, você tomou ela ontem. O que importa meu prato-só-para-ocasiões-especiais ou sua cerveja favorita, nossa empadinha pré-assada com um suco Tang de uva teve o melhor gosto que qualquer empada com Tng que já comemos em toda a nossa vida teve. O que importa é a cumplicidade que temos, nossos olhos se entendem, brigam, faíscam, mas o fazem para não perder o contato.   Parabéns, meu pai e sempre herói.


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